De Vila Nova a Tormes.

“Quinta de Vila Nova
Sta. Cruz do Douro
2 Junho 1898
Minha querida Emília:
Estou aqui há dois dias com o Luís. O tempo tem estado esplêndido até agora; – até um luar esplêndido nos favorece. Falo do luar porque o vejo através das janelas sem vidraças, enquanto escvrevo, à espera da ceia. (Aqui jantamos ao meio dia.) À chegada senti uma inesperada desilusão: – Sta. Cruz não me pareceu tão belo! Até, Deus me perdoe, achei a serra um pouco banal e mesquinha. Mas não foi impressão duradoura. Dois ou três passeios bastaram para me fazer experimentar l’ancien charme.
…
(A quinta) anda bem tratada, o José Pinto tem plantado bastante vinha, e o aspecto geral é de bem amanhada. Desta vez tenho-a visitado em mais detalhe. É uma boa terra.
…
Ainda por aqui fico, se Deus quiser, dois ou três dias.”
Depois da primeira visita a esta região do Douro, logo veio ao escritor a ideia de escrever o conto “Civilização” que, por sua vez, está na origem do romance “A Cidade e As Serras” e de que estas duas cartas estabelecem alguma relação entre a realidade e a fantasia.
Um dos factos curiosos é que, neste caso, e ao contrário do que é mais frequente, a ficção substituíu a realidade, de tal forma que hoje, aquela Casa e aquela Quinta, para já não falar da própria estação ferroviária de Aregos, são conhecidas por “Tormes”, conforme o romance assim as imortalizou.
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