ARREFECIMENTO DA BLOGOSFERA?!
Que o “estado da nação” da blogosfera é de actualidade, e nem sequer é uma pura questão teórica para mero exercício académico, já sabemos.
Pedro Rolo Duarte, um “blogger” que está atento ao fenómeno dos blogues, no programa da Antena I “Janela Indiscreta”, usa a expressão “vivemos um tempo morno na blogosfera”, que é uma outra forma de dizer “arrefecimento”.
Paulo Querido intitulou a sua comunicação para o IV Encontro de Blogues na Universidade Católica Portuguesa “O fim da blogosfera”. E isso já é um “arrefecimento de morte”. Mesmo que o autor referisse inicialmente que era um título provocatório, ou uma simples metáfora, a sua tese pretendeu confirmar o título.
Outros dão já esta morte como facto consumado: veja-se “quem matou a blogosfera?” (Sílvio Meira, Terra Magazine).
Curiosamente, toda esta discussão, deveras acalorada – leia-se “com fulgor”- é anunciada, realizada, ou transferida e prolongada através de…blogues!
Julgo que uma opinião com alguma base, poderá assentar em três pilares:
- “O interesse de quem bloga”. Ora interesses há muitos, desde o tratamento e divulgação de temas especializados, ou então o simples prazer da boa escrita – porque não?! Só é permitido o suporte de papel e capa de livraria, por mais que se goste do tacto e cheiro do livro?! Mas há também o interesse do simples protagonismo e exibicionismo pessoal, a discussão banal, às vezes rasteira e insultuosa.
- “O interesse de quem lê”. Que dizer dos inúmeros comentários de muitos blogues? E do teor dos mesmos?
- “O fulgor que é dado às discussões”. Tem a ver com muitos factores: a qualidade dos textos no conteúdo e na forma; o sentido de actualidade; a polémica “a propósito”, e daí também os comentários que possa provocar, com réplicas e tréplicas que despertam igualmente o interesse do leitor. Mas também a pura repetição, o tom monocórdico, o plágio, quando não o despudorado “copy-paste”.
Em síntese, e em minha modesta opinião, não me parece haver uma resposta a preto e branco, que seria dogmática e pouco fundamentada em tão pouco tempo e espaço e em tal contexto: por um lado, temos a proliferação de blogues ainda em crescendo. Diz-se que o número não interessa. Concordo. Mas algum “lixo” inerente, no mundo virtual, não fica tão caro aos contribuintes. E é mais fácil de varrer – com um clique.
Por outro lado, além dos tais blogues especializados e outros considerados de referência que se aguentam firmes na praça, temos “Jornais que associam blogues”, “Blogues acerca de blogues”, “Programas de rádio sobre blogues”, “Encontros sobre blogues”, “Debates sobre blogues”…
Então devolvo o debate: sentem-se os participantes nessa discussão em algum velório sobre os pobres coitados?!
Mesmo que o tempo ultimamente tenha “arrefecido”, como é natural da época?!
Ilda Borges
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